Mestra Janja

Escute aqui a audiodescrição do Busto da Mestra Janja

Rosângela Janja Costa Araújo é Mestra de Capoeira Angola, pesquisadora, docente e uma das mais importantes referências da capoeira na contemporaneidade. Cofundadora e coordenadora do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB), desenvolve há mais de três décadas ações voltadas à formação política, cultural e educativa por meio da capoeira, com presença em diferentes regiões do Brasil e em diversos países.

Autora de livros, artigos científicos e produções musicais, tem contribuído de forma significativa para a ampliação dos estudos sobre capoeira, relações raciais, gênero e educação, fortalecendo o reconhecimento da capoeira como patrimônio cultural, campo de produção de conhecimento e prática comprometida com a transformação social. Regente e arranjadora da Orquestra Nzinga de Berimbaus e da IGBADU – Orquestra de Berimbaus de Mulheres, Mestra Janja destaca-se também pelo incentivo ao protagonismo das mulheres na musicalidade, na gestão e nos processos formativos da capoeira. 

Como docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tem construído pontes entre universidade, movimentos sociais e comunidades tradicionais, ampliando o diálogo entre a produção acadêmica e os saberes forjados nas experiências coletivas de resistência e criação. Ao homenagear Mestra Janja em vida, esta obra celebra uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a justiça social e a valorização das culturas afro-brasileiras. Sua atuação evidencia a potência da capoeira como espaço de formação crítica, produção de conhecimento e construção de horizontes mais equitativos, inspirando diferentes gerações dentro e fora da roda. 

A bata africana que veste a figura recebe, ao redor da gola, dois símbolos Adinkra. O primeiro é o Sankofa, representado por um coração estilizado, que nos lembra a importância de olhar para o passado para aprender com ele e construir o futuro. A escolha desse símbolo dialoga profundamente com a trajetória de Mestra Janja, que nos ensina a reconhecer os que vieram antes, preservar seus legados e, a partir deles, abrir novos caminhos.

O segundo símbolo é o Wawa Aba, a semente da árvore wawa, associado à resistência, à força e à perseverança diante das dificuldades. Sua presença nesta obra representa também a trajetória das mulheres negras que, através da capoeira, enfrentaram e continuam enfrentando obstáculos para ocupar espaços de protagonismo, conhecimento e liderança.

A escultura é realizada em cimento cinza, com pátina de querosene e asfalto, e mede 60 × 33 × 28 cm. A modelagem manual deixa visíveis as marcas do processo de criação, aproximando a matéria da própria ideia de construção de uma trajetória: algo que se faz com as mãos, com o tempo, com resistência e com memória.

A obra estará disponível para visitação no MAFRO de 7 de agosto a 1 de outubro de 2026, e posteriormente passará a compor o acervo do Instituto Nzinga,.

O projeto foi contemplado pelo Edital nº 11/2024 – Salvaguarda da Capoeira, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Bahia) por meio do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, vinculada ao Ministério da Cultura – Governo Federal. do Brasil.

Para mais informações:

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA (MAFRO) situa-se no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador (Prédio da Faculdade de Medicina). Funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h (entrada até 16h30). Contatos: 71 3283-5540, e-mail mafro@ufba.br 

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