Besouro Mangangá
Escute aqui a audiodescrição do Busto em Homenagem ao Besouro Mangangá Besouro Mangangá (?*-1924) *1895 e ou 1900 (não foi encontrado registro oficial da data do nascimento) . (Manoel Henrique Pereira) Capoeirista, estivador ,saveirista e vaqueiro nascido no Quilombo (localidade)de Urupi, distrito de Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano. Aprendeu a capoeira com o africano Tio Alípio no Quilombo do Cambuta no bairro do Trapiche de Baixo ,onde começou a se destacar nas Rodas de Capoeira e ,nas festas populares. Contemporâneo de Sirí de Mangue, Noca de Jacó, Doze Homens, Paulo Barroquinha e Canário Pardo, seu desempenho e agilidade chamavam a atenção de todos os que assistiam. Besouro,usava fava da índia, Patuá e Livro de São Cipriano, sua destreza física era acompanhada pelo “corpo fechado” que lhe permitia esquivar as balas quando perseguido pela polícia e outros desafetos. Sua valentia e nobreza defendendo os mais humildes era ressaltada pelas pessoas que lhe conheceram. Servia-se da navalha e do facão com excelente domínio sendo também temido pelos detentores do poder,que sentiam medo só de saber de sua presença na cidade. Entre seus discípulos encontram-se seu primo Cobrinha Verde e Siri de Mangue. Existem várias narrativas que o vinculam a locais de Santo Amaro como o Trapiche no largo do “Tamarindo”, Largo da Cruz, o Ponte da Muringa e finalmente seu falecimento na Santa Casa da Misericordia de Santo Amaro. Após desaveniencia com seu patrão “Zeca Teixeira” no Engenho Santo Antônio do Rio Fundo, foi lhe solicitado levar uma carta a Maracangalha. Nesta carta levava sua sentença de morte, “mate o portador”, mas ele não desconfiou de que seria uma emboscada. No 07 de julho sofreu um ataque com uma faca de ticum, quando teve o abdômen perfurado ,quebrando assim seu “corpo fechado”. Viajou de canoa ,de São Francisco do Conde para Santo Amaro ao chegar no Hospital da Santa Casa, não recebeu o necessário atendimento médico, vindo fazer passagem às 19:00 do dia 08 de julho de 1924. A homenagem Procurando visibilizar a história de Besouro Mangangá o busto foi inaugurado em 04 de julho de 2026 no cemitério da Santa Casa da Misericórdia de Santo Amaro como parte de um projeto maior que procura sinalizar os locais percorridos pelo herói popular. Enterrado sem um túmulo, num espaço coletivo para os menos favorecidos, este busto vem reconhecer a trajetória de Manuel Henrique Pereira, Besouro Mangangá, e criar uma imagem com uma narrativa que evoque sua pessoa. Por não termos registros fotográficos, o busto foi criado pela artista e capoeirista Cristina Gandaia em base a um retrato falado, uma imagem de inteligência artificial e retratos de varias pessoas, entre eles um jovem do Recôncavo de idade similar. No peito carrega um patuá, lembrando do seu corpo fechado e sua conexão espiritual. Nas costas a escultura tem uma ferida com um espinho de madeira de ticum a mesma que o feriu na emboscada. O projeto do Mestre Sidney de Jesús é para dar a Santo Amaro mais pontos de Salvaguarda da memória de Besouro e de outras personalidades que merecem reconhecimento. Fontes: GARCIA, Victor Alvim Itahim. Histórias e bravuras de Besouro: o valente capoeira. Rio de Janeiro: GGE, 2006. JACOB, Adriana. O Lampião da Capoeira. Correio da Bahia, Salvador, 6 jun. 2004. Caderno Domingo Repórter, p. 3-7. SANTOS DE JESÚS, Sidney. A história de Besouro, Santo Amaro da Purificação: Memórias do Recôncavo. Santo Amaro: FBM, 2022. 1 videodisco. SILVA, Manoel M. da. Besouro Mangangá: o capoeira que virou mito. Revista de História da Bahia, Salvador, v. 2, n. 4, p. 12-25, 2010. Para mais informações: Mestre Sydnei de Jesús Telefone: +55 75 8155-0059 Instituto Besouro Mangangá Outras obras