Mestra Tonha Rolo do Mar

Escute aqui a audiodescrição do Busto da Mestra Tonha Rolo do Mar

Mestra Tonha Rolo do Mar ocupa um lugar de destaque na memória da capoeira baiana, sendo reconhecida como uma importante referência na formação do Mestre Cobrinha Verde e apontada na tese de doutorado “Trajetórias Formativas e Registros Biográficos de Mestras de Capoeira” de Ábia França (2021) como uma das possíveis pioneiras mestras de capoeira. Guardiã de saberes ancestrais, transmitiu conhecimentos relacionados ao jogo da navalha com as mãos e os pés, prática que integrou repertórios corporais e estratégias de defesa presentes em determinados contextos históricos da capoeira. O último registro conhecido sobre sua vida encontra-se na obra “Capoeira e Mandingas: Cobrinha Verde”, de Marcelino dos Santos (1991), na qual é mencionada sua residência no bairro do Tomba, em Feira de Santana.

Diante da ausência de registros fotográficos conhecidos, este busto foi concebido a partir dos rostos de seis mulheres negras vinculadas à Associação de Capoeira Arte e Recreação Berimbau de Ouro (ACARBO), em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Mais do que uma representação individual, a obra configura-se como uma construção coletiva ancorada na memória, na ancestralidade e na experiência compartilhada de mulheres negras que ajudaram a sustentar e reinventar a capoeira ao longo do tempo.

Ao homenagear Mestra Tonha Rolo do Mar, esta escultura evoca histórias frequentemente ausentes dos registros oficiais, reafirmando a importância das mulheres negras na salvaguarda, transmissão e permanência da capoeira como patrimônio cultural afro-brasileiro. Sua memória resiste como presença viva, inscrita não apenas nos documentos, mas também nos corpos, saberes e narrativas que atravessam gerações. 

A cabeça é coberta por um lenço que contorna a testa, evocando as marisqueiras, enquanto, na parte posterior, pequenos relevos arredondados remetem às ondas do mar. A camisa acompanha esse movimento, evocando as águas e o próprio nome Rolo do Mar.

Seu rosto alongado, marcado por linhas de expressão, apresenta um olhar firme e frontal. Uma cicatriz vertical de navalha atravessa o lado direito do busto como sinal de coragem, luta e resistência. É a imagem de uma mulher que empunhou a navalha quando foi necessário e que, por meio de sua trajetória, deixou marcas profundas na história da capoeira.

A obra é realizada em cimento cinza, com pátina de querosene e asfalto, e mede 60 × 33 × 28 cm. 

Este busto, desde  7 de agosto de 2026, passa a integrar o acervo permanente do Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (MAFRO/UFBA), como parte de uma ação de memória e reparação dedicada às mulheres que fizeram e fazem a história das manifestações culturais de matriz africana.

(MAFRO/UFBA).

O projeto foi contemplado pelo Edital nº 11/2024 – Salvaguarda da Capoeira, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Bahia) por meio do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, vinculada ao Ministério da Cultura – Governo Federal. do Brasil.

 
 

Para mais informações:

FRANÇA, Ábia Lima de. Trajetórias formativas e registros biográficos de mestras de capoeira. 2021. 299f. Tese (Doutorado em Educação e Contemporaneidade) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, BA, 2021. Disponível em: https://saberaberto.uneb.br/items/8e6b7255-7a9b-42ab-8ac3-ae517e465c02. Acesso em: 03 mar. 2026.

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA (MAFRO) situa-se no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador (Prédio da Faculdade de Medicina). Funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h (entrada até 16h30). Contatos: 71 3283-5540, e-mail mafro@ufba.br 

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