Tereza de Benguela

Escute aqui a audiodescrição do Busto de Tereza de Benguela

Conhecida como Rainha Tereza, Tereza de Benguela foi uma importante liderança quilombola do século XVIII. À frente do Quilombo de Quariterê, localizado na região do atual estado de Mato Grosso, conduziu uma comunidade formada por negros, indígenas e outros grupos subalternizados, articulando estratégias de organização, resistência e defesa do território frente ao sistema escravista e colonial. Sua trajetória atravessou o tempo e tornou-se símbolo da luta pela liberdade, da força das mulheres negras e da construção coletiva de formas de existência pautadas na autonomia e na dignidade. Mais do que uma personagem histórica, Tereza de Benguela representa uma ancestralidade viva, que continua inspirando movimentos de resistência, organização comunitária e afirmação da identidade negra.

Ao homenagear Tereza de Benguela, esta obra evoca a memória de inúmeras mulheres negras cujas histórias, muitas vezes silenciadas, foram fundamentais para a preservação de saberes, para a defesa de seus povos e para a construção de futuros possíveis. Sua presença nesta exposição reafirma a importância da memória como prática de resistência e do legado ancestral como fundamento para a compreensão do presente e a construção do porvir. Em reconhecimento à sua relevância histórica e política, o dia 25 de julho foi instituído como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Nesta escultura, realizada em 2026, Yasmin Oliveira Sena foi a capoeirista escolhida para ser o ponto de partida deste busto. Tereza nos olha de frente, em direção ao horizonte. Seu olhar firme e sereno evoca a postura de uma líder que contempla e protege seu território. O rosto é emoldurado por um torço volumoso, cujas pregas lembram a força e a presença de um tecido que envolve e protege. Três pequenas cicatrizes marcam sua bochecha esquerda, como sinais de uma história atravessada por lutas e resistências.

A boca cerrada, de lábios cheios e bem delineados, transmite tranquilidade e determinação. A superfície irregular do cimento, trabalhada manualmente, preserva na matéria as marcas do gesto da artista. A pátina escura e brilhante reforça a presença e a força da figura. 

A obra é realizada em cimento cinza, com pátina de querosene e asfalto, e mede 57 × 29 × 28 cm.

A obra estará disponível para visitação no MAFRO do 7 de agosto a 1 de outubro de 2026, e posteriormente ficará na Associação Nordeste em Ação.

O projeto foi contemplado pelo Edital nº 11/2024 – Salvaguarda da Capoeira, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Bahia) por meio do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, vinculada ao Ministério da Cultura – Governo Federal. do Brasil.

Para mais informações:

O Museu Afro-Brasileiro da UFBA (MAFRO) situa-se no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador (Prédio da Faculdade de Medicina). Funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h (entrada até 16h30). Contatos: 71 3283-5540, e-mail mafro@ufba.br 

Associação Nordeste Em Ação. Rua Edisio Santos s/n Final de Linha do Vale das Pedrinhas

71 98770-0095.

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